Perispírito

tiroles

17 jun 2011

Por Rubens Arantes e Nelson Free Man

Foto: denisolivier.deviantart.com

Origem do termo

O conceito de perispírito não surgiu com a publicação, em 1857, de "O Livro dos Espíritos". Pelo contrário, é um conceito já definido nos primeiros tempos do cristianismo.

Seja através do raciocínio lógico puro, seja na busca de uma explicação para os fenômenos "sobrenaturais" que ocorriam, a conclusão dos estudiosos sempre tendia para a idéia de que deveria haver uma "certa materialidade" na alma.

Temos exemplos em Tertuliano (155-220), que teria afirmado que “se a alma não tivesse um corpo, a imagem da alma não teria a imagem dos corpos”.

São Basílio (329-379), bispo de Cesareia, também falava de um corpo espiritual da alma, afirmando que “os anjos se tornavam visíveis, aparecendo aos que seriam dignos de vê-los, pelas espécies de seus corpos”.

Ambrósio (340-397), arcebispo de Milão, pregava que “seria impossível conceber algum ser destituído de matéria em sua composição, excetuando-se daí apenas a substância da Divina Trindade”.

Santo Agostinho (354-430) relata no tomo II de sua obra, a carta 158, escrita por Evádio onde, comentando as aparições, afirma “acreditar que a alma não poderia existir sem corpo algum”.

No segundo concílio de Nicéia (787), São João de Tessalônica declara que "sobre os anjos, os arcanjos e as almas, a Igreja decide que estes seres são na verdade espirituais, mas não completamente privados de corpo, ao contrário, dotados de um corpo tênue, aéreo ou ígneo".

No concílio de Viena (1311-1312) foi declarado que “seriam heréticas as pessoas que não admitissem a materialidade da alma”.

O perispírito nesse caso não é outra coisa senão esse corpo sutil que, ao longo dos tempos, as autoridades eclesiásticas, procurando explicações para os fenômenos que envolviam de alguma forma os espíritos, anteviam. Somente com o advento da Doutrina Espírita o perispírito foi estudado profundamente, oferecendo explicações para que entendamos com facilidade os fenômenos espirituais.

Mas, como poderemos confirmar a existência, a origem, a forma, a aparência, os sinais exteriores com que se apresenta e, finalmente, as propriedades do perispírito? Vamos nos valer de algumas obras para este artigo, dando ênfase a três delas, da Codificação: O Livro dos Espíritos (LE), o Livro dos Médiuns (LM) e a Gênese (Ge).

O termo perispírito foi cunhado por Allan Kardec, e encontra seu primeiro uso no comentário que segue o item 93 de O Livro dos Espíritos: “O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?” R- “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira”.

E o seguinte comentário de Kardec: "Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito".

A partir daí Kardec se ocupou de buscar fundamentação para essa hipótese, estudando as propriedades daquilo que à época recebia o nome de "fluidos" (eletricidade, magnetismo, calor), e ampliando a pesquisa para o que chamou de "fluidos psíquicos" ou "espirituais". Concluiu que o perispírito seria um corpo fluídico que envolve o espírito na condição de ente "semimaterial".

Mais "grosseiro" que o espírito e mais "sutil" que o corpo, seria o responsável, entre outras funções, pela transmissão da vontade daquele para este e, no sentido inverso, das sensações do corpo para o espírito. Seria constituído a partir de modificações particulares do "Fluido Cósmico Universal", que Kardec defendeu ser a matéria primordial de que se compõe o universo.

Nas obras do Espiritismo temos algumas sínteses:

  1. O perispírito e o corpo material têm sua fonte de origem no mesmo fluido; um e outro são matéria, posto que, sob dois estados diferentes. (Rev. Esp. Ano IX - março 1866 - vol.3)
  2. Os espíritos são envolvidos por uma substância vaporosa que constitui o seu invólucro semimaterial. (L. E. pergunta 93)
  3. Sem a alma, princípio inteligente, o perispírito, assim como o corpo material, é uma matéria inerte, privado de vida e de sensações. (Rev. Esp. Ano IX - março 1866 - vol.3)

 

Seguindo essas premissas, poderemos concluir no que se refira a Origem e Natureza do Perispírito, que:

a.   o perispírito sendo matéria é inerte, não pensa;

b.   as sensações, as percepções, a inteligência, o pensamento não são atributos do perispírito, mas sim do espírito;

c.   o perispírito é inseparável do espírito. Não há como conceber um sem o outro. Assim, o perispírito faz parte integrante do espírito, evidenciando que em qualquer grau de adiantamento em que se encontre o espírito, sempre estará revestido de um envoltório, ou períspirito;

d.   Que o perispírito forma o corpo semimaterial dos espíritos quando no mundo espiritual, e serve de elo, de intermediário com o corpo físico, quando encarnado.

 

Kardec, na introdução do Livro dos Espíritos, afirma que "há no homem três coisas”:

1º _ O corpo ou ser material análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;

2º _ a alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo;

3º _ o laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito.

 

No texto da obra, ampliando o estudo do perispírito, mostra sua existência na condição de semimaterial, de matéria que para nós seria vaporosa. (LE 93 e 135)

Da Origem e Constituição:

O perispírito é retirado do fluido universal de cada mundo. Por isso ele, na sua totalidade, é diferente em cada "mundo" em que o espírito se encontre e é constituído de matéria mais ou menos etérea, de acordo com a sua evolução moral e a evolução daquele mundo. (Ge XIV-8, 9 /LE 94, 186 e 187)

 

Da Forma e Aparência:

O perispírito possui plasticidade e adota a forma que o espírito deseja, podendo tornar-se visível e até mesmo palpável. Se for do desejo do Espírito, mantém a forma que tinha na última encarnação, pois o perispírito continua a ter fluido próprio haurido da atmosfera do último mundo em que o Espírito encarnou.

Depois de desencarnado, uma vez recuperada a consciência e se ainda estiver apegado à matéria, o Espírito se vê dentro de um corpo idêntico ao seu e normalmente não entende por que não pode tocá-lo. Quando se mostra aos encarnados é geralmente se apresentando com a forma que tinha quando encarnado. (LE 95 e 150; Ge XIV-14 e LM 55 e 56).

 

Dos Sinais Exteriores:

O perispírito, segundo o espírito, conserva os sinais da última encarnação: trajes, enfermidades, cicatrizes, cacoetes, membros amputados e tantos outros. Como o espírito não possui matéria para sofrer deformações, o pensamento preso a lembranças da última encarnação molda o períspirito aproveitando suas características de plasticidade, apresentando-se ao vidente da mesma maneira que se vê. Normalmente os espíritos superiores possuem uma aparência nobre e bela, irradiando luminosidade e paz; os inferiores, em alguns casos, se apresentam com uma forma feroz e bestial. (Ge XIV-14, LE 95)

 

Das Propriedades:

O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma em torno do corpo uma atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar com maior ou menor intensidade. A Ciência comprova isso através de fotografias se utilizando da máquina Kirlian.

 

Dentre suas propriedades destacamos algumas:

a.   Sobrevivência: a alma nunca se separa do perispírito. Após a desencarnação é o corpo fluídico da alma. (LM-54, Ge I-39 e XI-18)

b.   Individualidade: é através dele que o espírito, sem possuir corpo físico, demonstra a sua individualidade. (LE 284)

c.    Indivisibilidade: só pode animar a um ser. Não poderá animar a mais de um ser simultaneamente. (LE 140)

d.   Indestrutibilidade: a morte só destrói o corpo material. O perispírito continua a acompanhar o espírito. (LM 55 e LE 155)

e.   Expansibilidade: pode irradiar-se ao redor do ser. É a propriedade que permite a comunicação entre o encarnado e o desencarnado. (Ge XI 18 e XIV 18)

 

Para corroborar essas conclusões, é importante a análise dos trechos das obras de Allan Kardec, a seguir:

  1. O perispírito tem a forma que o Espírito queira. (L. E. perg. 95)
  2. A alma não se acha encerrada no corpo, qual pássaro numa gaiola. Irradia e se manifesta exteriormente. (L. E. perg. 141)
  3. O espírito não se acha encerrado no corpo como numa caixa. Irradia por todos os lados. (L. E. perg. 420)
  4. O pensamento é um dos atributos do espírito; a possibilidade que ele tem de atuar sobre a matéria, de nos impressionar os sentidos, e, por conseguinte, de nos transmitir seus pensamentos, resulta da constituição fisiológica que lhe é própria. (L. M. 1ª parte - cap. I, item 7)
  5. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza. (L. M. Trad. LaKe - Herculano Pires - 1ª parte - cap. IV, item 51)
  6. Por sua natureza semimaterial, o perispírito é flexível e expansível. Amolda-se à vontade do espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda. Pode dilatar ou contrair, prestando-se a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que sobre ele atua. (L. M. 2ª parte - cap. II, item 56)
  7. Em virtude de sua natureza etérea, o espírito propriamente dito não pode atuar sobre a matéria grosseira, sem intermediário, sem o elemento que o liga à matéria. Este elemento, que constitui o que chamais perispírito, vos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem material. (L. M. 2ª parte - cap. IV, item 74, resposta à perg. IX)
  8. O perispírito é o princípio de todas as manifestações. (L. M. 2ª parte - cap. VI, item 109)
  9. Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica a dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade. (A Gên. - cap. XIV, item 18)
  10. Sua ação fluídica se transmite de perispírito a perispírito, e deste ao corpo material. (Rev. Esp. ano VIII - set. 1865, vol.9)

 

Então já podemos mencionar algumas características próprias do perispírito:

  • Organismo que personaliza, individualiza e identifica o espírito.
  • Órgão sensitivo do espírito.
  • Princípio das comunicações mediúnicas.
  • Base angular dos fenômenos mediúnicos e anímicos.

Para o perispírito, a comprovação científica data do século XIX, com as memoráveis experiências de Zollner, Crookes e outros já esquecidos. Com base naquelas mesmas experiências, comprovaram-se praticamente todos os princípios básicos da Doutrina Espírita, sendo que inúmeras foram de caráter laboratorial, cercada de todos os requisitos e rigores científicos.

No decorrer do século XX, a objetividade de determinadas pesquisas, iniciadas por ‘simples acasos’, trouxe mais conhecimentos que obviamente vieram reforçar as experiências do que já estava comprovado. E vieram exatamente dos cientistas materialistas.

Pesquisas iniciadas por Kirlian, Semyon e prosseguidas por diversos cientistas da ex-URSS sedimentaram essas comprovações, já mencionadas. É importante observar que as investigações foram iniciadas em 1939 e o resultado comunicado ao mundo científico em 1968.

O que se constatou, experimentalmente, foi a existência da bioenergia. Ao anunciar esta comprovação, informou-se que a bioenergia é:

a.     Responsável por todos os processos da vida;

b.     Que todos os fenômenos físicos, químicos e biológicos sofrem a interação da bioenergia;

c.     Que todo o universo está mergulhado na bioenergia;

d.     Que fazendo uma correlação doutrinária, Kardec nos traz e nos ensina sobre a existência do Fluido Cósmico Universal. Uma questão de forma e não de fundo.

As fotografias, denominadas de fotografia do campo bioplasmático levaram os cientistas, inicialmente, à conclusão de que se tratava de um simples fenômeno elétrico.

Com o prosseguimento das pesquisas, concluíram que o simples fenômeno elétrico sofria uma série de variantes, tais como: poderia ser alterado, perturbado e anulado; era orientado e dirigido.

Verificou-se que tais comportamentos eram devidos a:

Existência de um Corpo Bioplasmático.

No anúncio à comunidade científica, expôs-se que "o homem é muito mais do que uma máquina, e a fotografia Kirliana demonstra mais dimensões que supúnhamos". Todas as coisas vivas possuem não só um corpo físico, constituído de átomos e moléculas, mas também, um corpo energético equivalente:

a.     Perispírito - Corpo Bioplasmático

b.     Irradiação do Perispírito - Campo Bioplasmático

 

Conforme estudamos, em uma das propriedades do perispírito, a de irradiação, Kardec nos informa que "o perispírito forma em torno do corpo físico uma atmosfera...". Vejamos bem, atmosfera - campo. Comprovação científica, obtida experimentalmente.

Demonstrou-se, experimentalmente, que o Campo Bioplasmático ou Bioenergético varia de pessoa para pessoa, dependendo de fatores fisiológicos, emocionais, psicológicos, mentais etc.

As pesquisas evidenciaram que "a cura psíquica envolve uma transferência de energia do corpo bioplasmático do curador para o corpo bioplasmático do paciente. As mudanças ocorridas nesse nível finalmente se refletem no corpo físico, e curam-no, segundo se afirma".

 

Classificação

Podemos classificar o perispírito, dizendo que ele tem função, forma, organização e propriedades:

 

Função

a.   Reveste o espírito quando desencarnado dando forma às características do espírito. Assim, se o espírito é bom, sua forma perispiritual será luminosa. Vendo-se um perispírito obscuro, poderemos dizer que ali está um espírito atrasado.

b.    O perispírito dá forma às características do espírito, do mesmo modo que a polpa do fruto reflete em sua forma as características da semente.

c.    Serve de intermediário entre o espírito e o corpo, participando, simultaneamente, dos dois. E participa simultaneamente porque é matéria ainda.

d.     Participa na reencarnação.

e.     Na desencarnação.

f.      Na evolução.

g.     Na mediunidade;

h.     No passe.

 

Forma

Em relação a sua forma e conforme a elevação do espírito, poderá ser modificada de acordo com a vontade deste.

 

Organização

Sabemos que os espíritos retiram seu invólucro fluídico, semimaterial, do fluido cósmico universal de cada globo onde ele vai revestir e dar forma à matéria. Assim o perispírito se organiza com o fluido peculiar ao mundo em que vive.

 

Propriedades

a.     Penetrabilidade.

b.     Elasticidade.

c.     Irradiação.

d.     Tangibilidade.

e.     Plasticidade.

f.      Absorção.

g.     Bi corporeidade.

h.     Emancipação.

 

No Passe:

Diz-se que o passista pode, através de uma vontade poderosa e da prece fervorosa, aglutinar e combinar fluidos, e que estes irão operar através do perispírito, que transformará e reativará os fluidos, atingindo o perispírito do outro e, através deste, também o corpo. Não há, no entanto, consolidação para essa informação, apesar de se poder imputar uma lógica ao raciocínio, uma vez que os fluidos são energia em movimento e o perispírito ser formado por matéria que também contém energia.

Em A Gênese, cap. XIV - Os Fluidos, temos: “31. - Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas”.

 

Molde do Corpo Físico:

Uma questão polêmica é se o perispírito é o molde do corpo físico. Analisando detidamente a questão à luz da Codificação Espírita, poderemos concluir que o perispírito não é o molde, modelo ou forma do corpo físico. É, sim, o princípio diretor da vida organizada, o elemento de aglutinação, de organização da matéria obediente às leis biológicas e ao comando do espírito.

 

Citaremos apenas três passagens das obras de Allan Kardec para demonstrarmos o que foi acima exposto:

Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio espírito que molda o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com sua inteligência. A Gênese - cap. XI – 11

Quando o espírito tem de encarnar num corpo em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível desde o momento da concepção. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria,  se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o espírito, por intermédio de seu perispírito se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra... No desencarne ocorre exatamente o contrário: o perispírito se desprende molécula a molécula, conforme se unira ao espírito e lhe é restituída a liberdade.  Assim, não é a partida do espírito que causa a morte do corpo e, sim, a morte do corpo é que determina a partida do espírito: A Gênese" - cap. XI – 18

 

 Finalmente:

Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos? R - Alguns há, efetivamente a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças só vêm por seus pais. (O Livro dos Espíritos, pergunta nº 356)

 Pergunta nº 356-A: “Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?" R - “Algumas vezes, mas não vive."

Se existem corpos físicos aos quais nunca nenhum espírito esteve destinado, obviamente não havendo espírito, não haveria perispírito para servirem de modelos. E como conseguiram as células se multiplicarem e darem ao final uma conformação humana a esse corpo físico se não havia o perispírito para servir de molde? Isso nos leva à conclusão de que o perispírito não é o molde ou forma do corpo humano.

O molde, a forma ou modelo se encontra nos fatores genéticos e hereditários de cada ser, herdados do material genético doado pelos seus pais. "O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito”. O Livro dos Espíritos, pergunta 207.

Poderíamos aqui, também explorar o tema, abordando que o corpo físico ainda recebe as características oriundas do ambiente sócio-cultural, onde sofre a influência do meio na formação do corpo (trabalho forçado, carência de alimentos, clima, etc.). Além disso, devemos lembrar que o Espírito, por seu livre arbítrio e utilizando o perispírito, ao mandar informações, pode produzir alterações; por vaidade, muda a cor dos cabelos, acentua os músculos sem necessidade física, altera a sua anatomia por estética, etc. Mas deixaremos esse tema para ser mais bem desenvolvido numa outra apreciação.

Enfatizamos ainda que o Espírito se utiliza do perispírito como um laço fluídico para se ligar ao corpo em formação, corpo este que se desenvolve conforme o fator genético e hereditário de cada ser herdado como já foi dito, do material genético doado pelos seus pais. ("A Gênese", cap. XI - item 18).

Sendo o Espírito o arquiteto e condicionador do seu corpo de manifestação, juntamente com as leis naturais, não há que se falar que o perispírito seja o molde do corpo físico e, sim, o perispírito em cada encarnação é que se modela para o corpo físico. 

 

Conclusões:

O perispírito é um organismo fluídico. É a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, e se modela ao envoltório carnal, como uma veste dupla, invisível, constituído de matéria sutil e etérea.

É um dos mais importantes produtos do fluido cósmico universal, condensando-se em torno de um foco de inteligência. É indestrutível, porém não é imutável; depura-se e enobrece-se com as conquistas morais do espírito. O espírito e o perispírito formam um todo indivisível, constituindo, no conjunto, as partes ativa e passiva, ou seja, as duas faces do princípio pensante, sendo o Perispírito a parte neutra e passiva.

O perispírito é, portanto, o órgão de transmissão de todas as sensações e vontades do espírito. Quando o ato é de iniciativa do espírito podemos dizer que: "o espírito pensa - o perispírito transmite - o corpo executa”. Quando a ordem é externa, dizemos que: o corpo quer – o perispírito transmite - O espírito recebe.

 

REFERÊNCIAS

Andrade, H.G. Espírito, Perispírito e Alma. 1. ed. Pensamento, 1984.

Mollo, E. O Perispírito. Disponível em:

http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo180.html

Neto, M.C.A.Do perispírito. Disponível em: http://www.cme.org.br/perispirito11.htm.

Obras Básicas do Espiritismo (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese)

Pinheiro, L.G. O Perispírito e suas Modelações. 1. ed. EME, 2000.

Revista Espírita – (diversas)

Rodrigues, A.J. Perispírito, Centros Vitais e Aura. 1. ed. Pensamento, 1986.

Tags

Comentários

imagem de Jsé Antonio Burato

Muito bom

Parabéns à dupla. Transformei este texto em material de estudo (PDF).

Com material desta qualidade o NEFCA está prestando grande serviço aos estudantes da DE e àqueles que desejam compreendê-la melhor.

Obs.: O 1º parágrafo da pág. 6 e o 1º parágrafo da pág. 9 não estão formatados corretamente.

imagem de Erika Renata Dias de Araújo

Excelente!

Texto didático e instrutivo. Seria bom ter a opção IMPRIMIR direto do site. 

Parabéns aos autores!

imagem de Anônimo

Parabéns

Os artigos são muito bons, vou voltar mais vezes.

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
  • Use to create page breaks.
  • You may use [swf file="song.mp3"] to display Flash files and media.

Mais informações sobre as opções de formatação